Adolescentes estão ficando menos inteligentes?
- Dados do Pisa apontam que países ricos têm pior desempenho da série
histórica
- China lidera o ranking, enquanto Estônia e Reino Unido se destacam
na Europa
A
cada três anos, a OCDE (Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico) divulga os resultados de uma avaliação internacional
que mede o desempenho de jovens de 15 anos em matemática, leitura e ciências.
Os dados mais recentes, publicados na última terça-feira (8),
eram aguardados com expectativa de recuperação após a forte queda registrada na rodada anterior,
realizada logo depois da pandemia.
No
entanto, não foi isso que aconteceu.
Nos países ricos, principal foco do
levantamento, as notas caíram novamente nas três áreas avaliadas, ampliando o
alerta sobre os impactos persistentes da pandemia na aprendizagem.
Em
leitura, a queda está, na verdade, se
acelerando.
Esses dados sugerem que existem fatores de longo prazo pressionando
para baixo o desempenho escolar e que, sem uma correção rápida, as habilidades
dos alunos podem ainda chegar a níveis mais baixos.
Qualquer pessoa preocupada
com os jovens de hoje —e com as economias de amanhã —deveria estar alarmada.
Neste ano, como em quase todas as edições desde
2000, os sistemas educacionais asiáticos dominam o topo da classificação.
As
crianças da China —que participam pela primeira vez desde
2018— superaram quase os demais países, embora as pontuações sejam distorcidas
pelo fato de os testes serem aplicados apenas em quatro províncias ricas.
Em ciências e matemática, os estudantes chineses
obtiveram resultados cem pontos acima da média dos países da OCDE.
Como regra
geral, considera-se que 20 pontos correspondem aproximadamente ao ganho de
aprendizagem de um aluno médio ao longo de um ano inteiro.
Na sequência
aparecem estudantes de Singapura, Macau, Taiwan e Japão.
A
Estônia continua parecendo ser o melhor sistema educacional do Ocidente. A Turquia está avançando muito rapidamente.
E há uma notícia
animadora para o Reino Unido, cujos jovens agora estão entre os dez primeiros do
mundo nas três áreas avaliadas.
Em comparação com três anos, o Reino Unido
melhorou seus resultados em ciências e manteve os de leitura e matemática
praticamente estáveis.
Isso conta como um bom resultado quando muitos outros
países estão registrando quedas.
FOLHA DE SÃO PAULO