LONGEVIDADE DE BRASILEIROS


Pesquisa inédita realizada com supercentenários aponta o que leva à longevidade de brasileiros

  • Análise da USP com 160 indivíduos aponta que variabilidade genética pode explicar por que alguns vivem mais e bem
  • Atualmente, o homem mais velho do mundo é o cearense João Marinho Neto, natural de Maranguape, com 113 anos

miscigenação comum à população brasileira pode ser um fator positivo para longevidade e qualidade de vida, afirmam pesquisadores brasileiros em artigo publicado nesta terça-feira (6) no periódico científico Genomic Psychiatry. A descoberta pode, no futuro, ser importante para melhorar a longevidade e qualidade de vida das pessoas.

Os resultados recém-publicados derivam de uma pesquisa do Genoma USP (Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo). Durante a pandemia da Covid, pesquisadores do centro analisaram o caso de três idosos com mais de 110 anos que foram infectados pelo Sars-CoV-2 e se recuperaram. "Era algo muito extraordinário na época, e ainda é, se recuperar de uma doença tão grave nessa faixa etária", afirma Mateus Vidigal, pesquisador do Genoma USP e primeiro autor do novo artigo.

Após isso, o escopo do estudo aumentou. Outros idosos foram incluídos, e a Covid deixou de ser o fator de seleção para a pesquisa. Atualmente, já são 160 pessoas com pelo menos 95 anos analisados no levantamento. Desse número, 20 indivíduos são supercentenários –ou seja, com mais de 110 anos.

Esses participantes inicialmente passam por uma entrevista com os pesquisadores de modo a entender o quadro clínico da pessoa. Uma coleta de sangue também é feita para ter mais informações sobre o perfil dos participantes. Com o passar do tempo, esses superidosos continuam sendo avaliados pelos pesquisadores, pelo menos uma vez por ano, a fim de averiguar se houve mudanças na saúde deles. Alguns morrem, muitas vezes, por causas naturais. Os que continuam vivos, normalmente não apresentam declínio no quadro clínico.

Análises genéticas também são feitas, e esse é o principal enfoque do grupo de pesquisa. "Nós queremos ver a genética por trás da longevidade e da qualidade de vida, porque há muitos centenários que estão muito bem de saúde. Então queremos entender como uma pessoa passa dos 100 anos, muitas vezes, ativa e lúcida, enquanto outras com a mesma idade estão acamadas, com Alzheimer ou outras doenças", explica Vidigal.

 



FOLHA DE SÃO PAULO
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