Guerra no Irã pressiona custos da construção civil
no Brasil
- INCC-M acelera para 1,04% em abril, refletindo alta do petróleo e
de insumos como alumínio e PVC
- Setor relata aumentos de até 30% em materiais, com risco de repasse
aos imóveis e queda nas vendas
A escalada da guerra no Irã pressiona os custos da
construção civil no Brasil, com impacto disseminado sobre materiais, fretes e
planejamento das obras, mas sem sinais, por ora, de desabastecimento.
Dados recentes mostram que a alta já aparece nos
indicadores. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou 1,04%
em abril, após registrar alta de 0,36% em março, refletindo o encarecimento de
insumos para as obras, em movimento associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre
combustíveis e logística global.
A inflação preocupa construtores que vão da
incorporação imobiliária às obras de infraestrutura.
Para o mercado
imobiliário, os preços mais altos chegam em um ano em quem especialistas
projetavam um cenário de recuperação, impulsionado por um
pacote de medidas governamentais e uma expectativa de queda gradual da taxa dos
financiamentos.
Esses aumentos também colidem com o esforço do
governo Lula de ampliar o acesso ao financiamento imobiliário.
Em março, o
conselho curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
aprovou a ampliação da renda máxima das famílias elegíveis ao Minha Casa, Minha
Vida e do teto dos imóveis que podem ser financiados pelo programa, que é uma
vitrine eleitoral de gestões petistas.
O barril de petróleo do tipo Brent, referência
internacional, se aproxima de US$ 115 (cerca de R$ 572) em
meio à deterioração das relações entre Estados Unidos e Irã e às ameaças envolvendo o estreito de Hormuz —por onde passam cerca
de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Os dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de
Economia da Fundação Getúlio Vargas) apontam que os principais aumentos em
abril ocorreram em itens como massa de concreto, cimento, tubos e conexões de
PVC —derivados de petróleo—, além de vergalhões e arames de aço ao carbono.
FOLHA MERCADO