Excesso de anúncios cansa consumidores e faz marcas repensarem
estratégias de marketing
- Com queda na atenção do público, empresas
tentam aumentar relevância no ambiente digital
- Especialistas defendem newsletters úteis e
comunidades em vez de bombardeio publicitário
No mundo virtual, anúncios estão em todos os lugares. Eles aparecem em
redes sociais, plataformas de streaming, painéis digitais em elevadores e
geladeiras e até em aplicativos usados para controlar a iluminação das casas.
Para um ser humano, é quase impossível prestar atenção em todos esses
estímulos ao mesmo tempo.
Diante desse excesso, marcas começam a rever as
próprias estratégias de marketing, buscando reduzir o desgaste da relação com o
consumidor e criar formas mais diretas de aproximação com o público-alvo.
No livro "Enshittification" (ou "merdificação" em
português), o escritor canadense de ficção científica Cory Doctorow discorre
sobre como plataformas digitais tendem a se deteriorar ao longo do tempo.
Segundo ele, no início, redes sociais e serviços online priorizam a experiência
do usuário, com interfaces mais confortáveis e conteúdos pensados para atrair e
fidelizar pessoas.
Com o crescimento, porém, essas plataformas passam a atender sobretudo
aos interesses dos patrocinadores.
Anúncios se multiplicam, recursos antes
gratuitos se tornam pagos, atualizações deixam de trazer benefícios aos
usuários e ferramentas deixam de ser aprimoradas.
Em um último estágio, até os próprios clientes corporativos passam a ser
explorados, em um movimento de maximização de lucros que, segundo Doctorow,
leva as plataformas a o que chamou de morte.
FOLHA DE SAO PAULO