O que podemos observar no comportamento histórico das expectativas de
inflação?
Ao analisar o comportamento histórico das expectativas de inflação no
Brasil, vemos uma correlação relevante entre as projeções de curto prazo e
aquelas voltadas para horizontes mais distantes, como para o ano de 2028.
Em
períodos marcados por uma desancoragem mais acentuada, essas diferentes
métricas costumam caminhar de forma síncrona no boletimFocus, divulgado pelo
Banco Central.
Dessa forma, a identificação recente de um viés baixista no
balanço de riscos para 2026 sugere, seguindo o padrão histórico de comovimento,
uma tendência de alívio correspondente nos prazos mais longos.
Os estudos da SulAmérica Investimentos sobre as probabilidades
condicionais dessas projeções revelam que, em janelas anteriores entre as
reuniões do Copom sob desancoragem forte, os momentos de revisão para baixo no
cenário corrente estiveram associados à estabilidade ou ao recuo das
estimativas futuras.
Não há registros históricos de episódios em que a projeção
para dois anos à frente tenha subido de forma expressiva — considerada aqui
como variações acima de 5 pontos-base — em períodos acompanhados por melhora
nos indicadores de curto prazo.
Diante dessa regularidade estatística, o cenário-base para o momento
atual aponta para a estabilidade das projeções de 2028, existindo, inclusive, o
risco de um ajuste marginal para baixo.
O arrefecimento dos riscos imediatos
mapeados para os próximos meses serve de balizador natural para os modelos dos
analistas, o que tende a favorecer uma acomodação dos números mais distantes e
interromper a trajetória de alta observada nas últimas semanas.
No entanto, o comportamento recente das médias e medianas de curto prazo
exige o monitoramento de cenários alternativos.
Caso as projeções para 2028
continuem subindo, o mercado observará um movimento inédito frente ao histórico
das séries econômicas brasileiras.
Esse eventual avanço traria uma mensagem
adicional importante, sinalizando um desafio ainda maior para a ancoragem das
expectativas de longo prazo.
Destaques da semana
Brasil
No panorama doméstico, serão divulgados os dados de atividade econômica,
com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), Vendas do Varejo
e a Pesquisa Mensal de Serviços. A agenda nacional também conta com o
tradicional Relatório Focus e diversas parciais de inflação (IPC-S, FIPE e
IGP-10).
• Segunda-feira: Relatório
Focus; Balança Comercial (1ª semana de julho).
• Quarta-feira: Pesquisa Mensal
de Serviços (maio).
• Quinta-feira: IPC-S CPI (2ª
semana de julho); Vendas do Varejo (maio).
• Sexta-feira: FIPE CPI (2ª
semana de julho); IBC-Br (maio); IGP-10 (julho).
Estados Unidos
A agenda norte-americana traz dados cruciais de inflação, com as
divulgações do índice ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI). A semana também
ganha peso com os números de Vendas do Varejo, Produção Industrial, a
publicação do Livro Bege (Beige Book) do Federal Reserve (Fed) e discursos de
dirigentes do Banco Central americano.
• Segunda-feira (13): Discurso
de Christopher Waller (Fed); Resultado Fiscal (junho).
• Terça-feira (14): NFIB -
Confiança do Pequeno Empresário (junho); ADP Semanal; CPI (junho); Discursos de
Kevin Warsh e Austan Goolsbee (Fed).
• Quarta-feira (15): Índice
Empire Manufacturing (julho); PPI (junho); Livro Bege do Fed; Discurso de
Alberto Musalem (Fed).
• Quinta-feira (16): Vendas do
Varejo (junho); NAHB - Confiança do Construtor (julho); Pedidos de
Seguro-Desemprego Semanal; Vendas Pendentes de Moradias (junho); Índice de
Atividade de Serviços do Fed de Nova York (julho); Discursos de Philip
Jefferson e Lorie Logan (Fed).
• Sexta-feira (17): Confiança
do Consumidor da Univ. de Michigan (prévia de julho); Produção Industrial
(junho); Concessões de Alvarás (junho); Novas Construções Residenciais (junho).
Europa
Na Europa, os destaques são os dados de Produção Industrial e Balança
Comercial da Zona do Euro, além do índice de preços ao consumidor (CPI) final
da região. A agenda ainda traz dados da indústria do Reino Unido e de preços na
Alemanha.
• Terça-feira: Preço no Atacado
da Alemanha (junho).
• Quarta-feira: Produção
Industrial da Zona do Euro (maio); Discurso de Joachim Nagel (BCE).
• Quinta-feira: Produção
Industrial do Reino Unido (maio); Balança Comercial da Zona do Euro (maio).
• Sexta-feira: Conta Corrente
da Zona do Euro (maio); CPI da Zona do Euro (final de junho).
Ásia
A agenda asiática concentra as atenções na quarta-feira, com a
importante divulgação do PIB do segundo trimestre da China, acompanhado de
dados de produção industrial e vendas no varejo do país. O Japão também
apresenta números do seu setor industrial.
• Terça-feira: Produção
Industrial do Japão (final de maio).
• Quarta-feira: Pedidos de
Máquinas do Japão (junho); PIB da China (2º trimestre); Produção Industrial da
China (junho); Vendas no Varejo da China (junho).
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