Decisões do FOMC e Copom: o que esperar dos juros
nos EUA e no Brasil.
Nesta semana, os Bancos Centrais do Brasil e dos
Estados Unidos (EUA) se reunirão para decidir a trajetória da taxa de juros dos
seus países, através do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Open
Market Committee (FOMC).
Para o FOMC, esperamos uma alta de 25 pb na taxa de
juros; para o Copom, prevemos um corte de 25 pb.
No cenário americano, a elevação dos juros deve
ocorrer em função da mudança de tom do presidente do Federal Reserve (Fed),
Kevin Warsh, e dos dados de inflação mais recentes.
No discurso proferido no
simpósio de Jackson Hole, o chefe da autoridade monetária norte-americana
indicou insatisfação com o ritmo da desaceleração inflacionária observada até o
momento, mesmo após alguns indicadores virem abaixo do esperado.
Desde então,
os números surpreenderam positivamente, em especial as medidas de núcleo, com sinais
de que o deflator do consumo deve ter permanecido em torno de 3,5% A/A em
agosto.
Diversos outros membros do FOMC também condicionaram seus votos aos
dados de inflação.
Além disso, a precificação do mercado indica agora
quase 90% de chance de alta de 25 pb nesta reunião.
Como Warsh já enfatizou
reiteradamente sua preferência por ouvir os sinais do mercado financeiro em vez
de guiá-lo (evitando o chamado forward guidance), consideramos improvável que o
FOMC não eleve os juros nesta semana.
Na entrevista coletiva após a reunião,
Warsh deve manter um tom enigmático sobre os próximos passos, mas ainda
demonstrará insatisfação com o ritmo do processo desinflacionário.
No Brasil, o Copom se reúne em um cenário de menor
incerteza quanto à sua decisão. O comitê deve reduzir a taxa Selic novamente em
25 pb, dando continuidade ao ciclo de calibração iniciado em março.
O
comunicado deve trazer poucas alterações em relação ao anterior, com as
projeções de inflação para o horizonte relevante situando-se entre 3,2% e 3,3%
— patamar próximo ao reportado na última reunião (3,2%).
O comitê deve
continuar testando a margem para novos cortes enquanto as expectativas de
inflação seguirem ancoradas e os dados de atividade indicarem desaceleração
econômica.
Por essa razão, a autoridade monetária não deve fornecer indicações
sobre os próximos passos, mantendo a postura dependente de dados.
O mercado financeiro tende a reagir de forma
consideravelmente mais intensa aos desdobramentos da reunião do FOMC do que à
decisão do Copom, inclusive no Brasil.
No ambiente doméstico, a atenção dos
investidores parece mais voltada para o cenário eleitoral de outubro, reduzindo
o impacto relativo das sinalizações locais no curto prazo. Já nos EUA, a
comunicação do órgão pode ratificar — ou frustrar — o que está precificado na
curva de juros, que embute um ciclo prolongado de aperto (cerca de 100 pb de altas
acumuladas até setembro do próximo ano).
Uma comunicação excessivamente
flexível (dovish) ou rígida (hawkish) tem potencial de provocar volatilidade
expressiva nas taxas de juros americanas, com desdobramentos para as demais
classes de ativos globais.
Destaques da
semana
Brasil
No Brasil, a semana é marcada pela decisão de
política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela divulgação do
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), ambos na quarta-feira.
O mercado também monitora os dados de Vendas no Varejo da Pesquisa Mensal de
Comércio (PMC) e leituras de inflação semanal e IGP-10.
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Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial Semanal (2ª semana de
setembro).
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Terça-feira: Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) - Vendas no Varejo
(julho).
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Quarta-feira: Decisão de Taxa de Juros; Índice de Atividade Econômica do
Banco Central (IBC-Br) (julho); Índice de Preços ao Consumidor - Semanal
(IPC-S) (3ª semana de setembro); Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10)
(setembro).
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Quinta-feira: Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (2ª
semana de setembro).
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Sexta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda
Estados Unidos
A semana nos EUA terá como ponto focal a decisão de
política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira. O mercado acompanhará
também os dados de Vendas no Varejo, indicadores da atividade industrial,
concessões de alvarás, construção de casas, números semanais de
seguro-desemprego e leilões de Bonds do Tesouro.
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Segunda-feira (14): Sem indicadores relevantes previstos na agenda.
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Terça-feira (15): Índice da Indústria Empire Manufacturing do Fed de
Nova York (setembro); Leilão de Bonds de 20 Anos; Relatório de Emprego Privado
(ADP) Semanal.
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Quarta-feira (16): Decisão de Taxa de Juros; Vendas no Varejo (agosto);
Índice de Confiança do Construtor da NAHB (setembro).
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Quinta-feira (17): Pedidos de Seguro-Desemprego Semanal; Sondagem
Industrial do Fed de Filadélfia (setembro); Início de Construção de Casas
(agosto); Concessões de Alvarás (agosto preliminar); Vendas de Casas Pendentes
(agosto); Leilão de Bonds de 10 Anos.
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Sexta-feira (18): Produção Industrial (agosto); Indicador Antecedente
(agosto).
Europa
Na Europa, os holofotes se voltam para a decisão de
política monetária do Banco da Inglaterra (BoE) e para a divulgação final do
Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Zona do Euro, ambos na quinta-feira. A
agenda conta ainda com a Pesquisa ZEW de expectativas econômicas, dados do
mercado de trabalho no Reino Unido, inflação (CPI e PPI) e Vendas no Varejo.
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Segunda-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.
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Terça-feira: Pesquisa ZEW da Alemanha (setembro); Pesquisa ZEW da Zona
do Euro (setembro); Balança Comercial da Zona do Euro (julho); Taxa de
Desemprego da Organização Internacional do Trabalho (ILO) do Reino Unido
(julho).
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Quarta-feira: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do Reino Unido
(agosto); Índice de Preços ao Produtor (PPI) do Reino Unido (agosto); Produção
Industrial da Zona do Euro (julho); Custo do Trabalho da Zona do Euro (segundo
trimestre final).
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Quinta-feira: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) do Reino Unido
(agosto); Índice de Preços ao Produtor (PPI) do Reino Unido (agosto); Produção
Industrial da Zona do Euro (julho); Custo do Trabalho da Zona do Euro (segundo
trimestre final).
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Sexta-feira: Índice de Preços ao Produtor (PPI) da Alemanha (agosto);
Vendas no Varejo do Reino Unido (agosto).
Ásia
Na Ásia, o grande destaque da semana é a decisão de
política monetária do Japão, na quinta-feira, acompanhada de dados de inflação
(CPI), na sexta. A agenda traz ainda indicadores de atividade na China, como
Produção Industrial, Vendas no Varejo e Taxa de Desemprego.
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Segunda-feira: Produção Industrial do Japão (julho final).
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Terça-feira: Produção Industrial da China (agosto); Vendas no Varejo da
China (agosto); Taxa de Desemprego da China (agosto).
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Quarta-feira: Pedidos de Máquinas do Japão (julho); Balança Comercial do
Japão (agosto).
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Quinta-feira: Decisão de Taxa de Juros do Japão.
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Sexta-feira: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) Nacional do Japão
(agosto).
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