ATIVIDADE FÍSICA


Como você se movimenta, e não apenas com que frequência, pode afetar o risco de demência

  • Análise reúne 74 estudos e acompanha participantes por uma década
  • Pesquisa compara efeitos de exercício, trabalho manual e deslocamento ativo

Há anos os cientistas sabem que a atividade física regular pode ajudar a reduzir o risco de demência

Mas um novo estudo, com pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e Finlândia e capitaneado pela USC (University of Southern California), sugere que não é apenas a quantidade, mas também o contexto da atividade — se realizada no trabalho ou no lazer — faz diferença.

Realizamos uma metanálise com mais de 4,2 milhões de pessoas e constatamos que o exercício praticado no tempo livre — atividades como caminhar, pedalar, correr, nadar ou praticar esportes — está associado a um risco substancialmente menor de demência.

Em contraste, a atividade física realizada como parte do trabalho parece estar associada a um risco maior de desenvolver a doença.

Os resultados da pesquisa desafiam a ideia amplamente aceita de que ‘todo movimento conta’ para a saúde do cérebro.

O estudo analisou dados de 74 estudos de coorte e caso-controle envolvendo mais de 4,2 milhões de participantes com idades entre 45 e 93 anos, em 30 países. 

Os participantes foram acompanhados por uma média de dez anos, período durante o qual os pesquisadores registraram diagnósticos de demência de qualquer causa, doença de Alzheimer e demência vascular.

No geral, as pessoas que praticavam mais atividade física no lazer apresentaram um risco 24% menor de demência em comparação com as menos ativas.

A atividade física doméstica também pareceu benéfica, embora essa evidência venha de um único estudo. 

Já a ocupacional foi associada a um risco 20% maior de demência, enquanto o deslocamento ativo (a pé ou de bicicleta) mostrou um aumento modesto no risco, ainda que baseado em apenas dois estudos.



FOLHA DE SAO PAULO
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