Juros de 15% ao mês punem mais mulheres, negros e
pobres.
O endividamento com juros de até 15% ao mês pune de
forma desigual mulheres, negros e pessoas pobres no Brasil, afirma José Roberto
Toledo no A Hora, do Canal UOL.
A análise foi feita após a divulgação de uma
pesquisa Datafolha sobre o endividamento dos brasileiros.
Toledo destaca que
quase metade da população adulta está sufocada por dívidas, com impacto mais
forte sobre grupos já vulneráveis. Para ele, a desigualdade de gênero e raça se
agrava com os juros altos do crédito rotativo.
Dois em cada três brasileiros têm alguma dívida
financeira. É um número assustador, né? Mas mais do que isso, o
Datafolha criou
um índice para separar, dentre esses dois terços que devem, se é uma dívida
pequena, média ou se é sufocante.
Toledo detalha que 45% da população adulta já está
sufocada por dívidas, sendo 50% das mulheres e 47% da população negra. Entre as
famílias mais pobres, a proporção chega a 55%.
Mulheres, 50% estão sufocando com dívidas contra
40% dos homens. População e idade produtiva, entre 25 e 59 anos, ou seja,
pessoas que estão inseridas na população economicamente ativa muito mais do que
quem não está.
O endividamento afeta a saúde mental e física.
Toledo aponta que 41% das mulheres relatam que as dívidas prejudicaram sua
saúde, contra 28% dos homens. "Estão mais desanimados, mais tristes, mais
inseguros e mais despreparados para o futuro", afirma.
Thais Bilenky ressalta que o tipo de dívida das
mulheres costuma ter juros maiores. "Os homens fazem muito financiamento
para veículos, cujos juros são mais baixos do que uma compra no cartão de
crédito de algum bem de uso do dia a dia", diz.
Ela ainda afirma que as mulheres negras são as mais
afetadas pelo endividamento no país.
"Portanto, afunilando esse perfil,
você vai chegar que as mulheres negras são aquelas que ganham até dois salários
mínimos, as que pagam as maiores taxas de juros de toda a sociedade brasileira,
que são as mulheres negras, as mais desprivilegiadas em todos os sentidos de
análise econômica da situação de grupos sociais brasileiros."
José Roberto de Toledo e Thais Bilenky
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