PREVENDO O FUTURO


Aqueles que acompanham a economia brasileira aguardam a divulgação do Boletim Focus.

O relatório semanal resume as projeções de instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Banco Central para índices de preços, atividade econômica, câmbio e taxa Selic.

O que mudou do último documento para o anterior, e por que isso importa.

Maiores gastos?

Os analistas elevaram suas estimativas para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) pela terceira semana seguida: 4,31%.

Entenda: o IPCA é o principal índice que acompanha o aumento generalizado de preços. Se os produtos e serviços ficam mais caros, e o salário não acompanha o crescimento, a população perde poder de compra.

•      O índice serve como referência para que o governo adote medidas para controlar a inflação, como fazer alterações na Selic, a taxa básica de juros.

•      Se ela fica em um patamar elevado, o consumo é desestimulado e a alta dos preços tende a desacelerar.

Falando nela… O relatório prevê um corte na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, mas de 0,25 ponto percentual. Na semana anterior, as estimativas apontavam para uma redução de 0,5 p.p.

•      14,75% ao ano é a taxa atual da Selic.

Por que a mudança nas previsões?

A guerra do Irã tem tudo a ver.

O país, atacado por EUA e Israel em 28 de fevereiro, restringiu a navegação pelo estreito de Hormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial. Há incerteza sobre a produção e distribuição do óleo, o que impacta diretamente seu preço.

No Brasil, a alta no valor da commodity influencia inúmeros segmentos da economia: a agricultura, com fertilizantes; a indústria plástica, com garrafas PET e outras embalagens; e o energético, com as termoquímicas, explica André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV.

Toda a cadeia de produção que usa derivados de petróleo começa a se preparar quando o barril se mantém no patamar de US$ 100 (cerca de R$ 523). "É um efeito lento, mas vai acontecer", diz.

E os impactos são visíveis com o aumento no preço da gasolina e do diesel desde o início do conflito. O setor alimentício anunciou que alguns itens devem ficar mais caros nos próximos dias.




FOLHA MERCADO
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