GUERRA NO IRÃ


De olho no gás

Das inúmeras consequências econômicas geradas pela guerra do Irã, ainda não falamos sobre uma que (também) pode pesar no bolso do brasileiro: o preço do gás de cozinha.

Antes, uma explicação: desdobramentos do conflito, como a interrupção do tráfego no estreito de Hormuz, e ataques a estruturas produtivas de combustível, geram incertezas sobre a produção e distribuição do petróleo. Isso, consequentemente, impacta sua cotação.

•      Cerca de 20% do GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha) consumido no país vem de fora.

•      Os EUA e a Argentina são os principais fornecedores da Petrobras.

Desde o início do conflito, a cotação internacional do gás disparou, e os importadores do produto pagam 60% a mais do que o cobrado na semana anterior ao primeiro ataque dos EUA e Israel ao Irã.

O valor estimado da importação do combustível pelo porto de Santos subiu de R$ 32,21 por botijão, em fevereiro, para R$ 51,40 na semana passada. Em Suape (PE), foi de R$ 31,56 para R$ 50,67 por botijão.

A qualquer momento. Para o consumidor final, o preço tem se mantido estável: oscila em torno dos R$ 110 em média no país, desde outubro de 2025.

A situação, porém, deve mudar nesta semana, na região Nordeste. A Acelen, dona da maior refinaria privada brasileira, anunciou aos seus clientes um reajuste de 16% no preço do GLP.

•      A alta equivale a R$ 7 por unidade.

E o governo com isso?

Deve anunciar um conjunto de medidas temporárias para conter a alta nos preços. A intenção é garantir acesso ao botijão, especialmente para famílias de baixa renda.

Entre as ações, estão a possibilidade de concessão de subsídios ao produto, o aumento de fiscalização da cadeia de abastecimento e um monitoramento mais rigoroso dos preços ao consumidor.

Falando em medidas… Na semana passada, o governo propôs aos estados um auxílio financeiro extra aos importadores de diesel, para diminuir os valores do combustível por causa da guerra do Irã.

A subvenção de R$ 1,20 por litro deve ser dividida, meio a meio, entre a União e os estados. Até o momento, ao menos 15 unidades federativas confirmaram que vão aderir.



FOLHA MERCADO
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