BURNOUT


O que é burnout e como identificar a síndrome de esgotamento profissional

  • Condição se caracteriza por exaustão física e mental relacionada ao trabalho
  • Tratamento envolve psicoterapia e até afastamento temporário das atividades profissionais

"O burnout é um esgotamento físico e mental, geralmente associado a um estresse crônico e grave, sempre relacionado ao ambiente de trabalho", diz a psiquiatra Roberta França. O termo em inglês pode ser traduzido como "queimar por completo" ou "esgotamento".

Em 2019, com a elaboração da 11ª revisão do CID (Código Internacional de Doenças), a OMS (Organização Mundial da Saúdeclassificou o burnout como um fenômeno ocupacional

No Brasil, o Ministério da Saúde incluiu a síndrome na lista de doenças relacionadas ao trabalho em novembro de 2023.

O que causa burnout?

Quando a exigência da ocupação é maior do que a pessoa consegue atender, seja por falta de recursos físicos, mentais ou organizacionais, o indivíduo pode ficar mais vulnerável à síndrome. 

"O burnout é também um problema organizacional e não apenas uma questão de fragilidade pessoal", ressalta Parra.

Alguns dos fatores relacionados são sobrecarga, metas irrealistas, falta de autonomia, ambiente tóxico —competitividade excessiva, injustiças, falta de apoio da liderança e assédio moral—, ausência de reconhecimento, conflito de valores e falta de suporte social no trabalho.

A cultura da hiperconectividade, gerada pela digitalização e os smartphones, que nos mantém conectados a todo o momento, pode contribuir para a exaustão relacionada ao trabalho, já que impede o desligamento físico e psicológico de suas funções. Nos últimos anos, a visibilidade do burnout aumentou com a diluição dos limites entre o trabalho e a vida pessoal.

Tratamento e prevenção

Assim como o diagnóstico, o tratamento deve ser feito preferencialmente por uma equipe multidisciplinar, principalmente com o envolvimento de psiquiatras e psicólogos.

"A psicoterapia é fundamental para modificar padrões de pensamentos negativos e desenvolver estratégias de enfrentamento mais saudáveis diante das demandas do trabalho", afirma França, complementando que o uso de medicamentos pode ser indicado para conter os sintomas.

O afastamento da rotina laboral, causa do adoecimento, também é uma estratégia de tratamento, para desconectar a pessoa do ambiente estressor. Para França, esse período é importante para a recuperação e para a construção de uma nova rotina.

A mudança no estilo de vida também é indicada, com a adoção de hábitos mais saudáveis como atividade física, alimentação equilibrada, sono regular e técnicas de relaxamento.

Especialistas recomendam o estabelecimento de limites físicos e emocionais, negando demandas que geram sobrecarga. 

A discussão de prioridades diárias com os gestores e desconexão mental do trabalho após o fim do expediente —o desenvolvimento de hobbies pode ajudar— são estratégias para aliviar o estresse ocupacional.

Para prevenir o burnout, não basta que as medidas sejam individuais, mas também coletivas e de responsabilidade do empregador. 

Intervenções focadas apenas no indivíduo têm efeito limitado se não houver uma mudança no ambiente do trabalho.

nova redação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) obriga legalmente as empresas a gerenciarem a saúde mental no ambiente de trabalho, mapeando os riscos psicossociais e integrando-os ao PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). 

Após reação negativa de empresas, a implementação da norma foi adiada e entra em vigor a partir de maio de 2026.



FOLHA DE SÃO PAULO
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