SAÚDE



  1. Parar de fumar pode proteger o cérebro contra a demência, conclui estudo
  • Em estudo com mais de 32 mil pessoas, os ex-fumantes tiveram risco 16% menor de desenvolver a doença
  • Cigarro provoca lesão e disfunção vascular, aumentando o risco de acidente vascular cerebral

Os benefícios de abandonar o cigarro já são amplamente conhecidos para a saúde cardiovascular e respiratória.

Agora, um estudo sugere que a decisão de cessar o tabagismo também pode ajudar a proteger o cérebro durante o envelhecimento

O achado reforça uma relação já bem estabelecida pela ciência: o tabagismo é um importante fator de risco para doenças neurodegenerativas. 

"O tabagismo aumenta em cerca de 30% a 40% o risco de desenvolver tanto doença de Alzheimer quanto demência vascular, que são as duas formas mais comuns de demência no Brasil e no mundo", relata a neurologista Jerusa Smid, do Einstein Hospital Israelita.

Entre os mecanismos que podem explicar essa relação está o dano aos vasos sanguíneos. 

"O cigarro provoca lesão e disfunção vascular, aumentando o risco de acidente vascular cerebral. 

E sabemos que o AVC pode levar à demência", explica Smid. Além disso, o tabagismo favorece o estresse oxidativo, comprometendo mecanismos naturais de neuroproteção. 

Alterações vasculares também podem contribuir para o acúmulo de proteínas anormais relacionadas a doenças degenerativas como o Alzheimer.

  1. Como o consumo de álcool aumenta o risco de desenvolver demência
  • Estudos recentes desmentem a tese de que doses diárias moderadas protegem a saúde cerebral
  • Além dos danos diretos aos neurônios pelo uso crônico, a bebida eleva a pressão arterial e o risco de AVC

Em 2003, um estudo publicado no Journal of the American Medical Association relatou que consumir duas ou mais bebidas alcoólicas por dia estava associado a um risco 22% maior de demência.

Esse estudo não foi o único a sugerir que o consumo moderado de álcool era benéfico para o cérebro: pesquisas observacionais têm mostrado de forma consistente que consumidores leves a moderados têm um risco menor de demência em comparação com abstêmios.

De fato, os pesquisadores passaram a compreender que os benefícios para a saúde atribuídos a uma taça diária de vinho são, em grande parte, uma miragem.

Pessoas que bebem com moderação tendem a ter mais vantagens na vida do que pessoas que se abstêm (como ter um nível socioeconômico mais elevado, mais anos de escolaridade e, de modo geral, melhor saúde), e os especialistas acreditam que isso explica o menor risco de demência, e não o álcool em si.

As evidências de que o consumo excessivo de álcool (frequentemente definido como mais de duas doses por dia) pode danificar o cérebro e aumentar o risco de demência também continuaram a se acumular.

No entanto, os especialistas ainda estão aprendendo exatamente como isso acontece e a partir de qual quantidade os danos começam a ocorrer.




FOLHA DE SAO PAULO
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