PERSPECTIVA SEMANAL


 Inflação brasileira em ponto de inflexão: a virada no cenário .

A divulgação do IPCA-15 de setembro na semana passada trouxe uma surpresa altista ao registrar variação de 0,70%, situando-se 20 bps acima da nossa projeção de 0,50% e superando também as expectativas de consenso do mercado. 

Sob a ótica da composição, os principais desvios em relação ao nosso cenário-base derivaram de componentes voláteis como passagens aéreas, higiene pessoal e cigarros. 

Embora a alta desses itens eleve o resultado headline, a sua natureza volátil atenua o caráter alarmante do índice geral.

No entanto, o ponto de atenção de fato negativo reside na rápida volta da alimentação no domicílio ao campo positivo, impulsionada pela aceleração dos preços dos produtos in natura e das carnes, sinalizando um encerramento mais rápido da sazonalidade favorável do meio do ano.

A despeito da pressão pontual desses itens, a leitura qualitativa do indicador permanece sob relativo controle, não se observando indícios de deterioração relevante na margem entre os demais componentes subjacentes. 

As métricas de industriais subjacentes e serviços subjacentes mantiveram um comportamento razoável na última divulgação. 

Em particular, o segmento de industriais subjacentes segue como o pilar mais construtivo dos últimos meses, mantendo a trajetória de surpresas favoráveis após as fortes altas observadas no pico do conflito geopolítico envolvendo os Estados Unidos e o Irã. 

Ainda assim, a persistência do conflito exige monitoramento contínuo sobre potenciais novos choques na cadeia de energia.

Para o curto prazo, contudo, a combinação entre alimentação e serviços se estabelece como a principal fonte de pressão inflacionária. 

Nenhum alívio para a alimentação no domicílio deve se concretizar ao longo do último trimestre do ano, especialmente diante do encarecimento da carne bovina e dos produtos in natura — estes últimos refletindo os efeitos do El Niño, já observados neste mês de setembro atipicamente chuvoso, que repassa custos para a cadeia alimentícia. 

No que tange aos serviços, a inflação do setor segue mostrando forte resiliência e rodando em níveis incompatíveis com a convergência para a meta de 3%.

Diante desse quadro, a composição da inflação para os próximos meses indica que a alimentação no domicílio se consolida como o principal vetor altista, ao passo que os bens industriais figuram como o principal vetor baixista. 

Essa conjuntura reforça a percepção de que o melhor momento da inflação no ano já ficou para trás, consolidando uma virada no debate prospectivo. 

Esse movimento de reprecificação também já começa a ser capturado pelo mercado, como corroborado pelo último Relatório Focus, no qual a mediana das expectativas para o ano avançou de 4,92% para 4,99%, registrando a segunda elevação semanal consecutiva.

Destaques da semana

Brasil

No Brasil, a semana conta com uma bateria relevante de indicadores de inflação, atividade e mercado de trabalho, destacando a divulgação do IGP-M, da PNAD Contínua e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). A agenda se completa com o Relatório Focus, dados da Dívida Pública Federal, saldo de Conta Corrente, Resultado Primário do governo e a Produção Industrial Mensal (PIM). O principal destaque da semana será no domingo, quando ocorrerá o primeiro turno das eleições presidenciais.

•    Segunda-feira: Relatório Focus; Conta Corrente (agosto); Dívida Pública Federal Total (agosto); Balança Comercial Semanal (4ª semana de setembro).

•    Terça-feira: Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) (setembro); Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua (agosto); Resultado do Governo Central (agosto); Dados de Crédito (agosto).

•    Quarta-feira: Resultado Primário (agosto); Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) (agosto).

•    Quinta-feira: Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) (4ª semana de setembro); S&P Global PMI Industrial (setembro).

•    Sexta-feira: Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (setembro); Produção Industrial Mensal (PIM) (agosto).

•    Domingo: Eleições Presidenciais - 1º turno

Estados Unidos

A semana nos Estados Unidos terá como ponto focal a divulgação do relatório Payroll, da Taxa de Desemprego e das Encomendas de Bens Duráveis, na sexta-feira, além do Produto Interno Bruto (PIB) e do Deflator do PCE, na quarta-feira. O mercado também acompanhará de perto a leitura de indicadores de atividade, mercado de trabalho com o JOLTS e uma intensa bateria de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed).

•    Segunda-feira (28): Índice de Atividade da Indústria do Fed Dallas (setembro); discurso de Thomas Barkin (Fed).

•    Terça-feira (29): FHFA - Índice de Preço de Casas (julho); Confiança do Consumidor do Conference Board (setembro); Relatório de Ofertas de Emprego e Rotatividade do Trabalho (JOLTS) (agosto); Índice de Serviços do Fed Dallas (setembro); discursos de Austan Goolsbee (Fed) e John Williams (Fed).

•    Quarta-feira (30): Relatório de Emprego Privado (ADP) Semanal; Produto Interno Bruto (PIB) (segundo trimestre final); Deflator do PCE (agosto); Chicago PMI (setembro); discursos de Thomas Barkin (Fed), Lisa Cook (Fed), Austan Goolsbee (Fed) e Neel Kashkari (Fed); Estoques do Atacado (agosto preliminar); Renda Pessoal (agosto).

•    Quinta-feira (01): Pedidos de Seguro-Desemprego Semanal; S&P Global PMI Industrial (setembro final); ISM PMI Manufatura (setembro); discursos de Thomas Barkin (Fed), Susan Collins (Fed), Jeffrey Schmid (Fed), Lisa Cook (Fed), John Williams (Fed) e Lorie Logan (Fed).

•    Sexta-feira (02): Relatório de Emprego (Payroll) (setembro); Taxa de Desemprego (setembro); Encomendas de Bens Duráveis (agosto final); Pedidos às Fábricas (agosto).

Europa

Na Europa, a agenda traz importantes dados de inflação com a prévia do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Zona do Euro, na sexta-feira, e da Alemanha, na quarta-feira. A região acompanha ainda dados de atividade econômica, como Produto Interno Bruto (PIB) final do Reino Unido, vendas no varejo, taxa de desemprego e leituras finais do S&P Global PMI Industrial, acompanhados por discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE).

•    Segunda-feira: Vendas no Varejo do BRC do Reino Unido (setembro); discurso de Dave Ramsden (BoE); discursos de Christine Lagarde (BCE) e Gabriel Pereira (BCE).

•    Terça-feira: Confiança do Consumidor da Zona do Euro (setembro final); Crédito ao Consumidor do Reino Unido (agosto).

•    Quarta-feira: Vendas no Varejo da Alemanha (agosto); Taxa de Desemprego da Alemanha (setembro); Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Alemanha (setembro preliminar); Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido (segundo trimestre final); discurso de Isabel Schnabel (BCE).

•    Quinta-feira: S&P Global PMI Industrial da Alemanha (setembro final); S&P Global PMI Industrial da Zona do Euro (setembro final); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (agosto); S&P Global PMI Industrial do Reino Unido (setembro final); discursos de Piero Cipollone (BCE), Joachim Nagel (BCE), Christine Lagarde (BCE) e Isabel Schnabel (BCE).

•    Sexta-feira: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Zona do Euro (setembro preliminar); discursos de Piero Cipollone (BCE) e Joachim Nagel (BCE).

Ásia

A agenda asiática destaca indicadores cruciais na China com os Lucros Industriais, na segunda-feira, e o PMI Industrial de setembro, na quarta-feira. No Japão, os investidores monitoram dados de Vendas no Varejo, Produção Industrial, Início de Construção de Casas, S&P Global PMI Industrial final, a inflação com o Tokyo CPI e a Taxa de Desemprego.

•    Segunda-feira: PPI de Serviços do Japão (agosto); Lucros Industriais da China (agosto).

•    Terça-feira: Indicador Antecedente do Japão (julho final).

•    Quarta-feira: Vendas no Varejo do Japão (agosto); Produção Industrial do Japão (agosto preliminar); Início de Construção de Casas do Japão (agosto); PMI Industrial da China (setembro).

•    Quinta-feira: S&P Global PMI Industrial do Japão (setembro final).

•    Sexta-feira: Tokyo CPI do Japão (setembro); Taxa de Desemprego do Japão (agosto); Base Monetária do Japão (setembro).



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