Mercado espera Selic parada em 15% em Copom
desfalcado e adia para março expectativa de corte
- Primeira reunião do ano terá participação de 7 dos 9 membros do
colegiado do BC
- Incerteza na política doméstica e instabilidade no cenário global
contribuem para cautela dos economistas
Os agentes do mercado financeiro esperam que o
Copom (Comitê de Política Monetária) mantenha inalterada a taxa básica de juros
(Selic), em 15% ao ano, pela quinta vez seguida, adiando para março a
expectativa de início do ciclo de cortes.
No primeiro encontro do ano, na próxima
quarta-feira (28), o colegiado do Banco Central terá quórum reduzido com a
saída dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes
(Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), em 31 de dezembro, e sem a
nomeação de seus substitutos. Com os desfalques, o encontro terá participação
de 7 dos 9 membros.
Até
dezembro de 2025, as apostas sobre o início da flexibilização da política de
juros estavam divididas entre janeiro e março deste ano.
O cenário de incerteza
na política doméstica, a desaceleração gradual da atividade econômica e a volatilidade do ambiente global contribuíram para maior cautela dos economistas,
desencadeando uma onda de revisões nas projeções.
Tony Volpon,
ex-diretor do BC e professor adjunto da Georgetown University, vê a demora do
Copom em iniciar a queda de juros como um sinal da intenção da gestão de Gabriel Galípolo de levar a inflação ao centro da meta.
"Ele
[Galípolo] não quer entregar a inflação entre a meta e o topo da banda de
tolerância.
Se quisesse fazer isso, já poderia ter iniciado o processo de corte
de juros", afirma.
O objetivo central
perseguido pelo BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual
para mais ou para menos.
No modelo de meta contínua, o alvo é considerado
descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora
dessa margem, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
FOLHA DE SÃO PAULO