Planos de saúde devem se preparar para o
envelhecimento da população, dizem especialistas
- Lacuna entre longevidade e vida saudável é vista pelo setor como um
desafio
- Consumidores se queixam de reajustes elevados e dificuldades de
acesso a tratamentos
Alvo de uma
série de críticas de consumidores nos últimos anos, o setor de
planos de saúde deve passar por adaptações para acomodar o envelhecimento
da população e a incorporação de tecnologias sem prejudicar os
beneficiários, defendem especialistas.
Enquanto
consumidores se queixam de reajustes
elevados, cancelamentos
unilaterais e dificuldades de
acesso a tratamentos essenciais, o setor afirma que, até pouco
tempo, se recuperava de um prejuízo
operacional sem precedentes.
O
ano de 2025, no entanto, marcou a retomada de
resultados econômico-financeiros positivos. A expectativa nos
próximos meses é de estabilidade, afirma Bruno Sobral, diretor-executivo da
Fenasaúde, que representa operadoras como Bradesco Saúde, SulAmérica, Gama
Saúde, Itaú Seguros, MetLife, Odontoprev, Omint, Porto Saúde, Seguros Unimed e
Unimed Nacional. Ele atrela a estabilidade a um nível "controlado de
incorporações tecnológicas que façam sentido."
A
lacuna entre longevidade e vida saudável é vista pelo setor como um desafio à medida que pode colocar em risco a sustentabilidade dos sistemas de saúde, aponta relatório do IESS (Instituto de Estudos de
Saúde Suplementar).
O
envelhecimento da população, no entanto, deve ser visto como um elemento
natural e como um motivo para que as empresas se preparem para o futuro, afirma
Marina Paullelli, coordenadora do programa de Saúde do Idec (Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor).
No ano
passado, o STF também julgou decisão que
reconheceu que os planos de saúde devem
autorizar tratamentos não previstos na lista da ANS, desde que sigam cinco
critérios técnicos definidos pelo tribunal.
A determinação foi vista de forma
positiva pelas operadoras, que preveem uma economia com a decisão.
FOLHA DE SÃO PAULO