PENHOR DE JOIAS


Disparada do ouro, Selic alta e endividamento recorde dão impulso a penhor de joias na Caixa

  • Carteira da modalidade de crédito atinge R$ 3,2 bi em 2025, crescimento de 31,24% em relação ao ano anterior
  • Empréstimo pode chegar a até 100% do valor da peça penhorada

O penhor funciona como um empréstimo com garantia.

O cliente leva à agência um bem de valor —joias, pratarias, relógios ou até canetas adornadas com metais preciosos— e um especialista faz a avaliação. 

O crédito disponibilizado pela Caixa pode chegar a até 100% do valor da peça, e o dinheiro sai na hora.

Em troca, o cliente paga juros que rondam 2,19% ao mês, em contratos de até seis meses e passíveis de renovação. 

Os bens ficam guardados no cofre da Caixa até a quitação da dívida e, se o contrato não for pago integralmente ou renovado, vão a leilão.

O valor definido para as peças não leva em conta marcas de luxo ou design. O preço, na verdade, é balizado por avaliação técnica, e uma das principais variáveis é a cotação da onça-troy de ouro no mercado internacional.

No acumulado do último ano, o ouro avançou mais de 60% e, no processo, renovou recordes históricos em sequência. 

Em janeiro, chegou a ser cotado a US$ 5.600 por onça. "Em reais, o ouro à vista chegou à máxima de R$ 900 por grama", diz Mauriciano Cavalcante, especialista da Ourominas.

Há outro fator em jogo. O endividamento das famílias  atingiu o patamar de 80,4% da população, recorde na série histórica da pesquisa conduzida pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

A inadimplência também subiu, afetando 29,6% das famílias endividadas, impulsionada pela taxa Selic no maior patamar em quase duas décadas. 

Hoje em 14,75% ao ano, a Selic pauta as taxas de juros praticadas no mercado, do rotativo do cartão ao empréstimo pessoal, e é justamente aí que o penhor ganha espaço. 

"Ele tende a ser mais barato que as demais linhas tradicionais. O cliente busca o penhor como alternativa competitiva", diz Trotta.

Há ainda outro atrativo: ao contrário de um empréstimo convencional, o penhor não exige análise de crédito minuciosa. O bem dado como garantia já é suficiente. 

"Ele acaba sendo uma porta de entrada para pessoas com nome negativado ou dificuldade de aprovação em outras linhas", afirma o especialista.



FOLHA DE SÃO PAULO
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