Tesouro vende R$ 33,3 bi em prefixados após queda
dos juros; volume é o maior desde dezembro de 2020
- Operação concentra maior parte da oferta em papéis com vencimento
em 2028
- Estratégia ajuda governo a trocar dívida atrelada à Selic por custo
fixo
O
Tesouro Nacional vendeu R$ 33,28 bilhões em títulos públicos
prefixados nesta quinta-feira (8), no maior volume para uma primeira rodada de
leilão desde dezembro de 2020. Foram R$ 27,86 bilhões em LTN (Letras do Tesouro
Nacional) e R$ 5,43 bilhões em NTN-F (Notas do Tesouro Nacional série F), com
vencimentos entre 2028 e 2037.
A
emissão ocorre após uma forte queda dos
juros futuros na segunda-feira (5), em reação ao resultado do primeiro turno
das eleições, que colocou Flávio Bolsonaro
(PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa de uma política fiscal mais
austera em um eventual governo de Flávio reduziu o prêmio de risco embutido nos
juros.
As
LTN, conhecidas popularmente como Tesouro Prefixado, pagam uma taxa definida no
momento da compra e não têm pagamentos de juros ao longo do período. Já as NTN-F,
conhecidas como Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, também têm taxa
prefixada, mas pagam juros ao investidor a cada seis meses.
Quando os juros de
mercado caem, fica mais barato para o governo emitir novos títulos prefixados,
porque os investidores passam a aceitar taxas menores para emprestar dinheiro
ao Tesouro. Foi essa janela que o governo aproveitou nesta quinta.
"O Tesouro
vende mais prefixado justamente quando o mercado aceita travar taxa, e essa
janela abriu nesta semana", afirma Mario Machado, assessor de
investimentos da InvestSmart/XP.
Os juros futuros
para 2029 e 2031 caíram mais de 1 ponto percentual em uma única sessão na
segunda-feira. No Tesouro Direto, a taxa de compra do Prefixado
2029 saiu de cerca de 13,9% ao ano no fim de setembro para 12,55% na
quarta-feira (7).
FOLHA DE SAO PAULO