Goste Trump ou não, a América do Sul está cada vez
mais economicamente ligada à China. Nos últimos 25 anos, o continente viu a
relevância americana ser eclipsada pelo gigante asiático.
• Em 10 dos 12 países
sul-americanos, a influência chinesa é hoje maior (caso do Brasil).
• Há 20 anos, todas
essas nações tinham os EUA como parceiro econômico mais importante.
↳ Os dados foram
apresentados pelo pesquisador Francisco Urdinez, no livro “Economic
Displacement: China and the End of US Primacy in Latin America”.
Entenda: para mensurar a influência econômica, ele
criou uma métrica que agrega investimento, crédito, comércio e ajuda externa em
relação ao PIB dos países.
Gradualmente, e então de repente. Parece que foi
assim que os chineses “ocuparam” a economia da América do Sul.
O mapa abaixo mostra a migração da influência ao
longo dos anos em cada país: 🟦 maior dos EUA, 🟥 maior da China.
O volume do comércio ampliou-se após a entrada de
Pequim na OMC, em 2001. Nos anos seguintes, houve o desembarque de empresas
chinesas nos países sul-americanos.
No Brasil chegaram gigantes do setor elétrico
(State Grid e CTG). Depois, vieram empresas de mineração, setor em que a China
tem forte presença na Argentina, na Bolívia e no Chile.
Na Venezuela, o país asiático virou o maior
comprador de petróleo.
Quem não gostou? Donald Trump.
A perda de
influência no continente está elencada no plano de segurança nacional do seu
governo, divulgado em dezembro, como um ponto a ser revertido. Um mês depois,
os EUA capturaram o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, agora deposto.
• "A resposta
americana ao deslocamento econômico migrou da competição econômica, que eles
perderam, para a intervenção coercitiva", afirma Urdinez.
E agora? Além da força, os americanos tentam
ampliar investimentos no continente em setores estratégicos, como terras raras.
Na semana passada, a mineradora Serra Verde, de Goiás, teve um financiamento de
um banco estatal dos EUA ampliado para R$ 2,5 bi.
Ao mesmo tempo… Os chineses ampliam sua
participação na economia do continente. O Brasil viu a chegada de montadoras de
veículos elétricos e híbridos, de equipamentos eletrônicos e de serviços de
delivery nos últimos anos.
FOLHA MERCADO