EDUCAÇÃO


“A IA não é alguém fazendo por você, é uma continuidade sua’

Empreendedora da educação considera que a IA vai escancarar a capacidade do pensamento crítico”

“Como as pessoas aprendem tem a ver com feedback imediato. Você só registra algo se tem carga emocional. Tanto é que, se perguntar quem foi a sua professora preferida, quem foi o professor que você menos gostou, qual foi o dia mais feliz da sua vida... 

Todas essas respostas que vêm de imediato vêm carregadas de emoção. A emoção faz com que a sinapse seja mais rápida e profunda. Para aprender novas habilidades e competências, é preciso atrelar alguma produtividade, tem de fazer sentido, senão vai embora”

Iona Szkurnik | Mestre em Tecnologia e Educação pela Universidade Stanford, é uma das curadoras do São Paulo Innovation Week (SPIW

A inteligência artificial vai escancarar a capacidade do pensamento crítico e, por isso, não pode ser vista só como um robô. É o que diz a psicóloga e empreendedora da educação Iona Szkurnik. 

“É preciso desconstruir essa imagem de que a inteligência artificial é uma coisa que você pode ‘contar com’ para que se entenda que ela, na verdade, é um espelho seu. Não é como se fosse alguém fazendo por você, é uma continuidade sua.” 

Para mudar a imagem sobre a tecnologia, explica Iona, a educação deve olhar cada vez menos para o conteúdo e mais para as habilidades socioemocionais, como criatividade, pensamento crítico, colaboração e priorização.

O que é inovação na educação hoje?

A inovação é uma mudança de lógica. As pessoas conectam muito a inovação com tecnologia.

Elas não estão necessariamente conectadas. Para preparar pessoas para os desafios de um mundo instável, é mais importante ensinar como trabalharem juntas.

Como olhar para a estrutura que vivemos, o nosso sistema educacional, e adequá-lo para a nova lógica do mundo. Para mim, a inovação é o espírito, o pilar. 

Como fazer com um novo olhar o que viemos fazendo e que aparentemente não está dando muito certo?

Temos alguns exemplos no mundo de como os países conseguiram se adaptar na lógica da inovação, como Finlândia, Singapura, adequando os currículos com o que acontece no resto do mundo. 

E a tecnologia nada mais é do que uma ferramenta que pode acelerar e fortalecer sistemas, na formação de professores, adaptação de currículo, avaliação.

Mas também expõe a cultura mais fraca, é capaz de aumentar a desigualdade e de fazer com que os mais fragilizados fiquem para trás.

Porque, se não muda o sistema fragilizado, quando coloca a tecnologia ali, fica cada vez mais performático e aí não vai conseguir o básico: o ensino e a aprendizagem.

Quando falamos de educação, queria tirar um pouco a barreira de achar que educação é escola ou faculdade. Educação é o que vai fazer chegar no futuro que queremos.

E onde entra o conceito de IA nisso?

Cabe a nós nos educar, nos aprimorar e nos qualificar para irmos onde quisermos. Quando entendemos que a educação não termina quando acaba um curso, conseguimos tomar a frente da nossa vida. 

E a maravilha da inteligência artificial é que agora está nas suas mãos aprender o que você quiser. Democratizou o acesso, há pouco tempo era inacessível, caro, complicado.

 



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