Big techs julgadas
A
Alphabet —controladora do Google— e a Meta —dona do Facebook e Instagram— são
acusadas de levar jovens usuários a ficarem dependentes de conteúdos que
resultaram em depressão, transtornos alimentares, internações psiquiátricas e
até suicídio.
Um
júri em Los Angeles, nos EUA, deve ouvir o depoimento do CEO da Meta, Mark
Zuckerberg, na próxima semana e do chefe do Instagram, Adam Mosseri, nesta
quarta (11).
Do
lado da defesa… Gigantes da internet argumentam que estão protegidas pela Seção
230 da Lei de Decência nas Comunicações dos EUA, que as isenta de
responsabilidade pelo conteúdo publicado por usuários.
…e
da acusação. O processo sustenta que as empresas são responsáveis por modelos
de negócio desenhados para reter a atenção das pessoas e promover conteúdos que
podem prejudicar a saúde mental desses usuários.
Os
advogados recorrem a estratégias usadas contra a indústria do tabaco, que foi
processada sob a acusação de vender um produto nocivo nas décadas de 1990 e
2000.
Por
que importa? O caso é visto como um teste decisivo, já que o resultado pode
determinar o tom de uma onda de processos como esse nos EUA.
Essa
também é a “primeira vez que uma empresa de redes sociais precisa responder
diante de um júri por danos causados a crianças", disse Matthew Bergman,
fundador do Social Media Victims Law Center.
Estudos
apontaram que quanto maior o tempo de uso das redes, maiores as chances de o
adolescente desenvolver quadros de depressão e de ansiedade.
Entre
adolescentes americanos, por exemplo, problemas de saúde mental cresceram cerca
de 150% em dez anos.
📱 Os países estão de olho
nos perigos do uso excessivo as plataformas digitais, e discutem medidas para
tentar mitigar os problemas. A Austrália, por exemplo, baniu as redes sociais
para menores de 16 anos visando protegê-los do cyberbullying, vício em telas e
da exposição a conteúdos tóxicos.
↳ A lei obriga que as plataformas impeçam menores de idade de
fazerem login em seus serviços, sob pena de multa de até 49,5 milhões de
dólares australianos (cerca de R$ 182 milhões).
Na
Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou que quer proibir o acesso
de menores de 16 anos às redes sociais, e França e Portugal também dão passos
para replicar a medida.
Mas…
Existem críticos ao banimento. O argumento é que a lei fere a liberdade de
informação dos adolescentes e que, no lugar de proibir usuários, seria mais
importante regular a atividade dessas plataformas para que elas façam
investimentos em segurança online.
FOLHA MERCADO