Conflitos
geopolíticos parecem distantes.
Mas,
quando envolvem energia e rotas estratégicas, o impacto chega rapidamente ao
bolso de todo mundo.
A guerra envolvendo o Irã está afetando
diretamente o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma passagem
estratégica por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no
planeta.
Quando uma parte tão relevante da oferta global fica ameaçada ou
interrompida, o preço do petróleo sobe e começa um efeito em cadeia na economia
mundial.
Petróleo mais caro significa transporte mais
caro.
Diesel e gasolina ainda são as principais fontes de energia para mover
mercadorias, pessoas e cadeias produtivas no mundo inteiro.
Isso pressiona
custos logísticos e acaba chegando ao preço final de praticamente tudo.
No caso brasileiro, há um efeito adicional
importante. Parte relevante dos fertilizantes usados pelo agronegócio vem do
Irã.
Se o conflito durar mais tempo e afetar essas exportações, o custo da
produção agrícola pode subir, o que aumenta a pressão sobre o preço dos
alimentos.
Além disso, a interrupção de rotas marítimas e a
redução da disponibilidade de navios elevam o custo do frete internacional.
Importações e exportações ficam mais caras, pressionando ainda mais a inflação.
Com combustíveis, alimentos e logística mais
caros, o resultado costuma ser inflação mais alta. E quando a inflação sobe, os
bancos centrais tendem a manter juros elevados por mais tempo.
É assim que um conflito que parece distante
acaba influenciando diretamente preços, inflação, juros e o bolso dos
brasileiros.
RICARDO AMORIM
RICARDO AMORIM