O Papel Estratégico do Atuário na Sociedade Brasileira


Risco, Dados e Inteligência: o Papel Estratégico do Atuário na Sociedade Brasileira

Minha apresentação, como painelista do 15º Congresso Brasileiro de Atuária, promovido pelo IBA - INSTITUTO BRASILEIRO DE ATUÁRIA, partiu de uma questão que considero cada vez mais urgente:

  • o que acontece quando a sociedade muda mais rápido do que os sistemas que deveriam sustentá-la?

Foi a partir daí que falei sobre longevidade.

Não apenas sobre viver mais, mas sobre tudo o que acontece quando uma população envelhece: previdência, saúde, seguros, trabalho, renda, cuidado, cidades e sustentabilidade fiscal passam a responder à mesma variável demográfica.

Levei para a discussão algumas das observações que trouxe da minha viagem ao Japão.

O Japão não é um modelo a ser copiado. É um espelho do tempo.

É um país que chegou antes a um futuro que o Brasil também está começando a enxergar. Lá, algumas respostas começaram a ser desenhadas décadas antes de a demanda atingir seu auge.

No Brasil, a janela é muito menor.

Por volta de 2029, as pessoas com 60 anos ou mais deverão ultrapassar as crianças. Em 2034, a população em idade ativa começa a encolher. Em 2041, a população brasileira atinge seu pico e, depois disso, começa a diminuir.

Esses números não são apenas projeções demográficas.

São prazos.

E foi esse ponto que procurei levar para a discussão: algumas decisões têm um tempo de maturação que é maior do que o ciclo de uma gestão.

Formar um médico especialista leva mais de uma década.

Uma reforma previdenciária pode levar décadas para produzir seus efeitos.

Um sistema de cuidado de longa duração não pode ser criado quando a demanda já chegou.

O custo de esperar também é atuarial.

Por isso, quando penso no papel do atuário hoje, penso em uma profissão que precisa ir além de calcular consequências.

Precisa ajudar a antecipar escolhas.

E foi muito especial dividir essa conversa com Cléa Klouri e Nilton Molina, sob a mediação de Daniel Conde. Perspectivas diferentes sobre longevidade, mas que se complementam justamente porque o fenômeno não cabe em uma única disciplina ou setor.

Daniel, meu agradecimento especial pelo convite para participar deste painel.

E quero também agradecer ao Instituto Brasileiro de Atuária, na pessoa de seu presidente, Giancarlo Giacomini Germany, e de seu vice-presidente, Daniel Conde, por promover um congresso que vai além da atualização técnica e coloca na pauta questões que exigem pensamento de longo prazo.

Risco, dados, inteligência, longevidade.

São temas que não esperam a nossa agenda ficar conveniente.

Saio do congresso com uma convicção ainda maior: o futuro não precisa ser adivinhado.

Mas precisa ser calculado, discutido e decidido antes de chegar.

CELINA DA COSTA SILVA | atuária, Conselheira Fiscal | CCoAud IBGC

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