LONGEVIDADE


Os pesquisadores já sequenciaram o genoma de todos os participantes. 

De forma preliminar, uma conclusão do projeto é que alguns genes associados à longevidade já descritos em outras populações, como europeias, se replicam no caso dos superidosos brasileiros. 

No entanto, existem peculiaridades genéticas que podem estar relacionadas principalmente à miscigenação da população brasileira, fator que pode ser importante para explicar a longevidade desses participantes do estudo.

"O Brasil tem se destacado nos rankings globais de longevidade, superando países que historicamente são bem longevos, como o Japão. No ano passado, o homem e a mulher mais longevos do mundo eram brasileiros. 

Isso chama atenção e, muito possivelmente, tem influência da miscigenação", continua Vidigal.

Hoje o homem mais velho do mundo é o cearense João Marinho Neto, de 113 anos. Ele foi reconhecido em novembro de 2024 pelo Guinness World Records. Natural de Maranguape, cidade a 25 km de Fortaleza, João nasceu em 5 de outubro de 1912.

A variabilidade genética resultante da mistura entre europeus, africanos, nativo americanos e, em menor grau, asiáticos aparenta trazer resultados positivos para a longevidade. 

Mas não é somente sobre viver mais: a qualidade de vida dos idosos avaliados na pesquisa também chama atenção.

Um aspecto que reforça a genética como um papel importante na longevidade e qualidade de vida é observado em famílias com diferentes membros que vivem muito e bem. Na pesquisa do Genoma USP, existe o caso de uma família brasileira com uma mulher de 110 anos e suas três sobrinhas de 106, 104 e 100 anos.

Vidigal explica que exemplos como esse enfatiza o caráter genético, principalmente quando esses indivíduos não estão na mesma localidade, o que é o caso dessa família. "Houve influências ambientais diferentes, mas todas passaram de 100 anos, algo que reforça o fator genético", continua o pesquisador.

Um objetivo central para o Genoma USP é identificar de forma detalhada quais são os genes associados à longevidade dos superidosos do estudo. 

A partir desses resultados, seria possível desenvolver alternativas para modular a genética –por exemplo, por meio de fármacos. Com essas modulações, mesmo indivíduos sem os padrões genéticos positivos para uma vida longa e saudável, poderiam se beneficiar dessas vantagens.

SAMUEL FERNANDES - formado em antropologia pela UnB, é repórter de saúde e ciência da FSP

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