2025: o ano que ainda não acabou!
- O fim do ano é o melhor momento para fazer uma faxina existencial
- Será que a inteligência artificial vai escrever livros com tesão na
alma?
Está
chegando o meu aniversário —11 de dezembro— e, como sempre, começo a fazer uma
faxina existencial e um balanço do ano que passou.
2025
foi um ano muito especial. O lançamento do meu livro "Memórias de uma
antropóloga malcomportada" – no dia 21 de maio no Rio de Janeiro e no dia
5 de junho em São Paulo— foi o momento de "sair da minha toca".
Escrevi
o livro depois de quase morrer em um incêndio, em novembro de 2023. Segui o
conselho do meu melhor amigo que partiu três semanas antes de completar 99
anos: "Tem que ter coragem, Mirian, coragem, você vai sim!". E eu
fui.
Após mais de 5 anos de profunda tristeza, desespero e depressão, foi a
primeira vez que abracei tantas pessoas queridas. Foi lindo!
2025 também foi o ano em que tive todos os
piripaques imagináveis de um "carro velho que precisa de mecânico e de
manutenção três vezes ano", como me disse um cardiologista: pneumonia,
sinusite, bronquite, faringite, asma, pancreatite, gastrite, bulbite, pré-diabetes e outras cositas más.
Estou
feliz porque termino o ano e o meu "carro velho" só está precisando
de remédio para o colesterol alto.
No dia 1º de maio, conheci por meio do Instagram a
estilista Ale Valois.
Nas nossas conversas, confessei que sou uma espécie de
Steve Jobs: só visto jeans, legging preto, camiseta preta e tênis preto. Ale
veio duas vezes na minha casa, tiramos tudo dos meus armários e descobri roupas
lindas que eu nem sabia que tinha.
Quase todos os dias, eu enviava uma mensagem
para Ale: "descobri". Criei um slogan para a minha talentosa amiga:
"Descubra-se com Ale - A de alegria; L de liberdade e E de energia".
No dia 1º de outubro, após quatro anos de pesquisa,
concluí a última versão do meu relatório de pós-doutorado em psicologia social
sobre envelhecimento, autonomia e felicidade.
E, para minha alegria, fui
convidada para escrever quatro livros-caixinhas com 100 perguntas sobre menopausa, antropologia, inveja e medo. O de
menopausa já saiu e está fazendo o maior sucesso.
Por fim, em 2025, comemorei 15 anos como colunista
da Folha com uma novidade desafiadora: em fevereiro fui
convidada para fazer vídeos de 90 segundos para as redes sociais da Folha sobre
as minhas colunas.
Fiquei assustada, porque minha praia sempre foi escrever as
colunas, não fazer vídeos. Mas tem sido uma troca incrível com meus leitores e
leitoras.
No dia 4 de novembro, no Rio de Janeiro, Yuval Noah Harari afirmou que seu próximo
livro talvez seja o último, pois a inteligência artificial está evoluindo em
um ritmo tão acelerado que, em breve, poderá produzir livros que irão superar
os que ele consegue escrever.
Eu disse exatamente o mesmo no dia 14 de agosto,
em um debate no Rio Innovation Week sobre "ser humano na era da inteligência
artificial: arte, sensibilidade e existência no mundo automatizado".
No
evento, contei que um colega me chamou de "dinossaura em extinção"
porque não uso IA para transcrever minhas entrevistas nem para escrever meus
livros e colunas.
Mesmo que meus textos sejam superados pela IA,
nunca deixarei de escrever.
Meus armários, lotados dos diários que escrevo
compulsivamente desde os 16 anos, são a prova concreta de que escrever sempre
foi, e sempre será, o que mais me dá tesão na alma, como disse Rita Lee aos 73 anos.
Não escrevo para
ser lida ou publicada, escrevo para salvar a minha vida.
MIRIAM
GOLDENBERG
- antropóloga e professora da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, é autora de "A Invenção de uma Bela Velhice