Dupla Jornada


Dupla jornada

Acorda, estuda, trabalha, dorme (pouco) e repete. Se essa é a sua rotina, você tem muitos colegas que compartilham da mesma realidade. Na edição de hoje, em parceria com o Lucas Leite, da Folha Estudantes, damos dicas para tornar essa rotina exaustiva um pouco mais funcional.

Tic tac. Às cinco horas da manhã, a estudante Jad Ellen Vieira, 23, está acordada para iniciar o seu dia. Aluna do nono semestre de engenharia de alimentos, ela divide o seu tempo entre os laboratórios da faculdade —onde se dedica ao TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)— e o estágio na empresa multinacional Bimbo . 

Só de pensar na divisão de horas de um dia da aluna, dá para imaginar o equilíbrio necessário para não ser consumido pela rotina de vida acadêmica e início de carreira.

A boa notícia é que muitas das pessoas com quem você cruzará no mercado de trabalho passaram por essa fase. Isso não significa que todas as lideranças serão compreensivas com o cotidiano exaustivo do estagiário, mas há uma boa chance de que elas entendam.

☕️ Por que importa? O estágio é, muitas vezes, a porta de entrada de um profissional no mercado. 

Com um pouco menos de horas na carga e supervisão contínua, é um bom momento para testar as águas do que pode vir a ser a sua carreira. É um excelente momento para criar contatos e começar a assentar naquilo que pode ser um caminho para a trajetória de trabalho futura.

Quando você é estagiário, é café com leite na empresa. Os gestores, em geral, são mais compreensivos com erros e mais flexíveis quanto a obrigações. 

Você pode usar esse tempo para dar ideias, construir relações e experimentar um pouco do que cada função numa equipe profissional pode oferecer, indica Mônica Marcele de Oliveira, supervisora do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola).

Ainda que você seja o caçula da equipe, precisa levar a sério suas funções na equipe.

•      "Você assinou um contrato e assumiu um compromisso com a equipe e a empresa. As pessoas contam com a sua dedicação", diz a especialista.

Estágio é uma das melhores oportunidades de se inserir no mercado de trabalho, mas não vale deixar a peteca cair nos estudos - Ilustração: Catarina Pignato/Folhapress

💭 Relembrando... caso você tenha esquecido, aí vão algumas regras que regem o estágio. Ele não gera o tradicional vínculo empregatício e tem um limite legal de seis horas diárias, somando 30 horas semanais.

Para garantir o caráter educativo dessa experiência e não deixar que o aluno vire uma mão de obra barata, as instituições de ensino desempenham um papel de filtro. 

A universidade precisa validar se a vaga tem relação estrita com o curso e garantir, por exemplo, que o aluno tenha no mínimo uma hora de intervalo entre o fim do expediente na corporação e o início das aulas.

A instituição de ensino deve atuar como a "torre de comando" e o aluno é o piloto da sua própria carreira, explica o professor Enzo Bissoli, coordenador de desenvolvimento discente e de carreira do Mackenzie.

O papel da instituição educacional é mapear e orientar o estudante que, por estar em formação, não pode ser tratado ou cobrado pelo mercado como um profissional sênior.

Vale lembrar que a Lei do Estágio permite que você reduza sua carga horária em épocas de provas e trabalhos. Para isso, a instituição de ensino precisa notificar a empresa das datas de provas e cabe a você, claro, comunicar o seu gestor com antecedência de que estará menos disponível naqueles dias.

👤 Papo cabeça. É bonito falar em equilíbrio entre vida acadêmica e profissional, mas sabemos que, para muita gente, procurar um estágio (e trabalhar para mantê-lo) é uma necessidade financeira relevante.

O valor da bolsa-auxílio muitas vezes se torna essencial para fechar as contas básicas da casa, afirma Rafael Tatsch, gerente de atendimento do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola).

Diante do medo de perder essa renda, o estagiário tenta "abraçar o mundo", assumindo todos os projetos possíveis para impressionar os líderes em busca de uma efetivação futura, deixando o próprio curso de lado.

💡 Tá, e...? Há solução. Ou, pelo menos, tentativa de equilíbrio factível. Aí vão algumas dicas que os especialistas entrevistados para a edição deram.

•      Organize a rotina com ferramentas adequadas: utilizar métodos para gerenciar os prazos da faculdade e as demandas corporativas ajuda a conciliar o estudo e o estágio. A escolha pode variar desde agendas físicas até aplicativos digitais, como Notion, Google Calendar ou Trello.

•      Defina prioridades e evite abraçar o mundo: é preciso compreender que nem todas as tarefas têm o mesmo grau de urgência e que o foco principal deve continuar sendo a formação acadêmica. Fazer a leitura do que é prioridade máxima, do que pode ser negociado e do que pode ser deixado para outro momento é um sinal de maturidade.

•      Mantenha um diálogo aberto com a liderança: a comunicação transparente com o gestor é um passo essencial, especialmente durante as semanas de provas ou de entrega do TCC. Ao avisar com antecedência sobre o calendário da faculdade, o estudante pode negociar a entrega de projetos, combinar horários flexíveis ou até solicitar a redução da carga horária nos dias de avaliação.

•      Cuide da saúde física e mental: ter noites de sono reguladas, uma boa alimentação e incluir exercícios físicos na semana garantem a disposição necessária para encarar o dia. Além disso, tenha atividades de lazer, preferencialmente longe das telas. Isso funciona como uma válvula de escape essencial para descarregar o estresse acumulado.

•      Reduza a cobrança excessiva por perfeição: é importante entender e respeitar o seu próprio ritmo de aprendizagem, aceitando que é humano e que, em alguns momentos, não dará conta de tudo. O estágio é um ambiente focado em aprendizado, por isso, os erros não devem ser paralisantes, mas sim etapas necessárias de evolução.

Boa sorte, estamos torcendo pelo seu sucesso! 🍀


 

Tel: 11 5044-4774/11 5531-2118 | suporte@suporteconsult.com.br