PRESPECTIVA SEMANAL


O balanço da "Super Quarta.

A "Super Quarta" confirmou o início do ciclo de elevação de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed), com uma alta de 25 pontos-base. 

Mais do que o ajuste em si, o destaque foi o caráter unânime da decisão. 

Em um momento de questionamentos do mercado sobre o compromisso da autoridade monetária norte-americana com a meta de inflação, a coesão do comitê trouxe um ganho importante de credibilidade institucional, evidenciando uma certa habilidade de seu presidente, Kevin Warsh, em construir consenso em prol de uma postura mais rigorosa.

Essa firmeza institucional, somada a um mapa de projeções em que 8 dos 18 diretores apontam altas adicionais, indica certa insatisfação do Fed com a resistência da inflação e o contínuo dinamismo da atividade. 

Diante dessa sinalização, incorporamos uma elevação adicional em nosso cenário-base para os juros americanos, projetando uma dinâmica de stop and go, com novas altas em dezembro e no primeiro trimestre de 2027. 

O debate do mercado, agora, se volta para a velocidade e a altura da barra para eventuais ajustes sucessivos no exterior.

Em direção oposta, no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) entregou o corte de 25 pontos-base na taxa Selic, em linha com o esperado. 

O comunicado apresentou pequenas alterações, mencionando a desaceleração em setores cíclicos e o alívio nas médias da inflação subjacente, mantendo a projeção no horizonte relevante em 3,2%. 

A sinalização oficial segue pautada na dependência dos dados, mas a decisão reafirma a preferência revelada do Banco Central em prosseguir com o ciclo de calibração sob uma régua relativamente baixa.

Diante disso, mantemos nossa projeção de 13,75% para a Selic ao final do ano, com assimetria baixista para 2026. 

No entanto, ressaltamos que a aceleração do aperto global liderada pelo Fed e o contraste de posturas aumentam os riscos sobre a trajetória no médio prazo. 

O ambiente externo mais restritivo e a volatilidade cambial atuarão como balizadores cruciais para definir se haverá espaço para a continuidade do ciclo doméstico sem comprometer ainda mais a ancoragem das expectativas.

Os próximos dias serão esclarecedores para compreender os determinantes do comitê brasileiro. 

A divulgação da Ata do Copom nesta terça-feira, aliada ao Relatório de Política Monetária (RPM) e à coletiva de imprensa nesta quinta, trará subsídios valiosos sobre o processo decisório do BC. 

Caberá à autoridade monetária detalhar suas premissas técnicas e explicar como pretende balizar o seu plano de voo diante do duplo desafio de expectativas de inflação pressionadas e de um custo de capital global mais elevado.

Destaques da semana

Brasil

No Brasil, a semana conta com eventos cruciais voltados à política monetária, com destaque para a divulgação da Ata do Copom, o Relatório de Política Monetária e a entrevista  do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor da autarquia, Paulo Picchetti. 

No encerramento da semana, o foco se voltará para a prévia da inflação oficial, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de setembro, e a definição da Bandeira Tarifária de Energia Elétrica.

    Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial Semanal (3ª semana de setembro).

    Terça-feira: Ata do Comitê de Política Monetária (COPOM).

    Quarta-feira: Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) (3ª semana de setembro).

    Quinta-feira: Relatório de Política Monetária; Confiança do Consumidor da FGV (setembro); Entrevista de Gabriel Galípolo e Diogo Picchetti (BCB).

    Sexta-feira: Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (3ª semana de setembro); Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) (setembro); Definição da Bandeira Tarifária de Energia Elétrica.

 Estados Unidos

A semana nos EUA terá como principal ponto de atração os discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), a prévia dos índices S&P Global PMI Industrial e de Serviços e a reunião geopolítica entre os presidentes da China, Xi Jinping, e o norte-americano, Donald Trump. 

O mercado também acompanhará de perto os dados do setor imobiliário, encomendas de bens duráveis, leilões de títulos do Tesouro e números semanais do mercado de trabalho.

    Segunda-feira (21): Índice de Atividade Nacional do Fed Chicago (agosto); discurso de Austan Goolsbee (Fed).

    Terça-feira (22): Relatório de Emprego Privado (ADP) Semanal; Leilão de Bonds de 2 Anos; Início da Reunião Geral da Organização das Nações Unidas (ONU); discursos de John Williams (Fed), Philip Jefferson (Fed) e Thomas Barkin (Fed).

    Quarta-feira (23): S&P Global PMI Industrial e de Serviços (setembro preliminar); discurso de Michael Barr (Fed).

    Quinta-feira (24): Pedidos de Seguro-Desemprego Semanal; Vendas de Novas Casas (agosto); Leilão de Bonds de 7 Anos; reunião Xi Jinping e Donald Trump; discursos de John Williams (Fed), Beth Hammack (Fed), Thomas Barkin (Fed) e Anna Paulson (Fed).

    Sexta-feira (25): Encomendas de Bens Duráveis (agosto preliminar); Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (setembro final); discursos de John Williams (Fed) e Beth Hammack (Fed).

Europa

Na Europa, as atenções se voltarão para a divulgação das leituras preliminares dos índices S&P Global PMI Industrial e de Serviços para a Alemanha e a Zona do Euro, na quarta-feira. 

A agenda regional contempla, ainda, a Pesquisa IFO de Clima de Negócios na Alemanha e indicadores de confiança do consumidor, da Comissão Europeia e da GfK.

    Segunda-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

    Terça-feira: Confiança do Consumidor da Zona do Euro (setembro preliminar).

    Quarta-feira: S&P Global PMI Industrial e de Serviços da Alemanha (setembro preliminar); S&P Global PMI Industrial e de Serviços da Zona do Euro (setembro preliminar).

    Quinta-feira: Pesquisa de Clima de Negócios IFO da Alemanha (setembro).

    Sexta-feira: Confiança do Consumidor GfK da Alemanha (setembro).

Ásia

A semana na Ásia inicia com a decisão das Taxas de Juros Prime de 1 ano e 5 anos na China nesta segunda-feira. Na quinta-feira, os investidores acompanham a publicação da prévia dos índices S&P Global PMI Industrial e de Serviços no Japão.

    Segunda-feira: Taxa do Juros Prime de 1 ano e 5 anos da China.

    Terça-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

    Quarta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

    Quinta-feira: S&P Global PMI Industrial e de Serviços do Japão (setembro preliminar).

    Sexta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.



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